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O Cristo que seguimos – Antonio C. Montenegro

– Se trata de publicações para Revista da Escola Dominical (Programa do Departamento de Escolas Dominicais União das Igrejas Evangélicas Congregacionais e Cristãs do Brasil) – 1º Trimestre de 1952 – Professor A.C.Montenegro (pastor jubilado)

O CRISTO QUE SEGUIMOS

Texto áureo : Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo) João 1:41.
Ponto central: Nosso Senhor Jesus Cristo é uma Pessoa distinta de Deus Pai e de Deus Espírito Santo, formando com ambos um só Ser.

Desenvolvimento da Lição

INTRODUÇÃO

Não podemos seguir alguém ou alguma cousa, sem qualquer interesse de ordem pessoal ou algum determinado motivo. Isto é um fato que em regra se verifica em todos os aspectos da vida humana. Desde pequenos seguimos as pegadas de nossos pais e de nossos mestres, de nossos superiores. Mais tarde seguimos uma profissão, com um programa de vida. Escolhemos uma ideologia ou um partido político e seguimo-los; e, assim, em muitas outras cousas, humanamente falando.

Quando ao destino eterno a quem devemos seguir? Eis uma pergunta que, pela sua gravidade e consequências, merece a nossa melhor e refletida atenção. Será aos nossos pais, aos nossos mestres, aos chefes religiosos ou ideológicos espiritualistas que se propagam a todo vento e por toda a parte?

A quem devemos seguir, se desejamos a vida eterna? O verdadeiro crente não tem outra resposta senão esta: A Jesus!

Mas, pergunto ainda: Todos que seguem a Jesus serão seus discípulos? Nem todos; pois, alguns seguiam por simples curiosidade, pela atração fascinante de sua Pessoa e o desejo de conhecê-lo (João 12:21), ou por causa de seus milagres, que tão grande impressão deixaram (Mat 12:39); outros, sem dúvida, com o fim de receber algum benefício material (João 6:26); ainda outros, pela esperança de uma libertação política. Entre seus seguidores, podemos também apontar aqueles que mantinham severa vigilância em seus passos e palavras, com o instinto malévolo de denunciá-lo perante as autoridades civis ou religiosas. Quantos talvez não o teriam seguido, inconscientemente, atraídos pela multidão, ou por uma influência sugestiva e momentânea, entusiasmo popular, como em sua entrada triunfal em Jerusalém!

Mas nós, como havemos de segui-lo? A resposta pode ser breve: aprendendo, obedecendo e realizando a sua obra em nossas vidas para que seu nome seja glorificado entre os homens.

1) POR QUE SEGUIR A JESUS?

  1. Porque ele nos inspira confiança, a) Pelo seu caráter divino,  único na história da humanidade. João Batista era considerado maior do que qualquer outro profeta nascido de mulher (Mat. 11:11). Pois bem, Jesus era maior do que João em seu caráter, em sua missão, em sua vida, v.27 b) Por sua palavra autorizada e divina, palavra de vida, que aquece e renova o coração; pela palavra que convence, transforma e salva. c) Pelo seu poder sobrenatural, repreendendo os ventos, multiplicando os pães, curando os enfermos, ressuscitando os mortos (Mat . 6.2).
  2. Porque Jesus fala à nossa razão, respeitando a liberdade individual e o livre exame. Vinde a mim. Examinai … Quem tem ouvidos para ouvir ouça. Mas a que cair em boa terra é o que ouve e compreende a Palavra.
  3. Porque fala aos nossos sentimentos, penetra em nossas almas, revela o nosso estado, ameniza as nossas dores. Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei  Tomais sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas (Mat 11:28-29). Notai como se dirige à Samaritana (João 4), ou à mulher pecadora (Luc 7:50), ou às crianças desprezadas, etc
  4. Porque resolve os nossos problemas. Não só o grande problema que se prende ao nosso destino eterno, a salvação; mas outros tantos que afetam a vida moral, doméstica, social, como sejam: a solicitude, a dúvida, o temor, a tristeza, os ressentimentos, o desânimo e muitos outros.
  5. Porque cumpre as suas promessas. Aqueles que já conhecem têm essa experiência. Jesus nunca será acusado por não ter cumprido a sua Palavra. Ele afirmou que o seu Evangelho seria pregado em todo o mundo, e quem poderá negá-lo? Ele afirmou que se os seus discípulos se calassem as pedras clamariam. Aí temos a vitrola, o rádio e sobretudo a arqueologia.    Ele refere-se aos últimos tempos como tendo as mesmas características dos dias de Noé – dias de incredulidade, de materialismo, mundanismo, idolatria, violência, poligamia legalizada ou não. Ele prevê e prediz a destruição do Templo e a dispersão de Israel, o que vem sendo confirmado pelos fatos. E a figueira já brota e floresce. Outras profecias, como o arrebatamento da Igreja, sua segunda vinda em majestade e glória, o julgamento das nações, o estabelecimento do Reino Milenário, o juízo final, hão de se cumprir. Aquele que foi fiel e verdadeiro até agora, sê-lo-á até o fim.
  6. Porque cumprem-se nele todas as profecias e tipos do Velho Testamento. Não nos é possível mencionar todos aqui. Os alunos poderão lembrar muitos deles através da leitura das profecias.
  7.  Porque revelou sua vitória sobre as forças do mal (continua), espancando as trevas do pecado e aniquilando a morte. A semente da mulher (da virgem) esmagaria a cabeça da serpente. E esta promessa foi cumprida por nosso Senhor Jesus Crista – a semente da mulher. Aqui temos o proto-Evangelho, o triunfo de Cristo sobre Satanás, predito quatro mil anos antes da vinda do Senhor. E, por sua vitória, torna-nos mais do que vencedores! Esta é a experiência do crente que vive no poder e direção do seu Espírito.
  8. Porque prova não só de palavra, mas de fato, seu imenso e profundo amor. Sendo rico, se fez pobre por amor de nós. Despojou-se de sua glória para revestir-se de nossa natureza humana embora sem pecado. Revela-se aos pecadores, rebaixa-se em servi-los. Tudo sobre deles e por eles. Vai até onde eles estão, buscando os perdidos. E para isso sofre a morre pendurado no madeiro para efetuar por todos eterna redenção.   Mas tudo isso suportou para apresentar os seus seguidores perante o Tribunal Divino, justificados, purificados e glorificados.

2. O EVANGELHO DE JOÃO

Os três primeiros evangelhos são denominados sinóticos e enfatizam a humanidade de nosso Senhor Jesus Cristo, como ministro da circuncisão. Eles se desenvolvem em terreno judaico, nas bases do Velho Testamento, sobretudo os dois primeiros em que vemos Cristo como Rei e como Servo.

Em Mateus, temos o Messias que vem para o seu povo. Em Marcos, Jesus como o Servo Perfeito (Isaías 42), veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos (Marc. 10:45).

Em Lucas, o médico amado, temo-lo como o Filho de Deus, oferecendo a sua vida às multidões, como Salvador divino. Lede Apoc 4:7.

O dr. Filipe Schaff, eminente teólogo, afirmou: O Evangelho segundo João é o mais original, importante e influente livro em toda literatura.

A estrutura deste livro é comparável com as três dimensões do Tabernáculo. O Pátio exterior, caps. 1-12. o Lugar Santo, caps. 13-16. O Santíssimo, caps. 17-21.

Os outros comentadores firmam-se no versículo 28 do cap. 16, como base da estrutura. Saí do Pai e vim ao mundo (cap1-12). Outra vez deixo o mundo e vou para o Pai (caps 13-21). Aqui temos, sem dúvida, a ordem de todos os acontecimentos. O cap. 1, que nos serve de base ao estudo de hoje, destaca os fatos principais desta vida maravilhosa do Filho de Deus e que se projeta através de todo o Evangelho. Vemo-lo, pois em sua: –

      a) Apresentação – No princípio era o Verbo – isto é, antes de todas as cousas, quando ainda não havia tempo, e sim eternidade.
b) Natureza – Era Deus.
c) Companhia – Estava com Deus.

Se estivesse escrito: No princípio era o verbo e o Verbo era Deus, isto nos levaria a crer numa só Pessoa e seria um bom argumento para os Unitarianos.

      d) ManifestaçãoFez-se carne e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. Ele não veio habitar na carne, mas em carne, natureza impecável. . Daí a expressão Filho do homem. E há quem negue a encarnação sobrenatural do Cristo! Ele não era filho de um homem, mas Filho do homem. O seu nascimento foi sobrenatural pela virtude do Espírito Santo. Leia-se IJoão 4:3 e cuidado com os que negam a humanidade do Senhor Jesus.
e) ReconhecimentoUm vindo de Deus, para dar testemunho, João 1:6-7. E do Céu, pelo Espírito Santo, João 1:33-34.
f) Propósito – Para que todos cressem por ele. A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que creem em seu nome, João 1:12. Estas cousas foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, crendo, tenhais a vida eterna em seu nome (João20:31).

O Evangelho de João foi escrito posteriormente aos sinóticos, quando o exército romano já havia queimado a cidade de Jerusalém, com seu majestoso Templo, e os judeus começaram a ser dispersos por toda a parte, por causa de sua incredulidade e em cumprimento das profecias. Razão por que João declara: Veio para o que era seu e os seus não o receberam, João 1:11.

Rejeitado o Messias, o apóstolo aponta para o Unigênito de Deus. Não mais Moisés com a Lei, mas a Graça e a Verdade por Jesus Cristo. Não mais uma vida nacional restaurada, com bênção sobre todas as nações da terra, mas vida eterna para todos os que crêem em seu nome.

       g) Obras – Todas as cousas foram feitas por ele. Ele é o Criador, mas também Redentor. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, João 1:29. Este é o mesmo de quem fala Isaías 53 e que foi tipificado por animais, nas cerimônias religiosas do povo de Deus. Foi lendo este trecho bíblico que o eunuco converteu-se, sendo Filipe, o evangelista, o instrumento usado por Deus para esclarecer a mensagem e conduzir o eunuco aos pés de Cristo O coração deste Evangelho está nesta passagem, João 3:16. A parte final deste capítulo relata os frutos desta mensagem tão simples. E assim surgem os primeiros discípulos.
h) Triunfos finais – A obra de Cristo foi planejada antes da fundação do mundo e iniciada em bases sólidas e inabaláveis. Ela permanece e continuará até o seu triunfo final e glorioso. Ela se processa misteriosamente no meio da fraqueza humana e na confusão que reina por toda parte (Mat.13 – O Reino em mistério; 2 Tim 2:7 – A iniquidade em mistério). Mas todas as cousas tomam o seu rumo certo e o seu destino e serão manifestas no fim dos tempos. A Igreja voltará com Cristo em glória; os judeus serão restaurados em sua própria terra, no milênio; os gentios abençoados; Satanás preso e, depois de nova tentativa contra o Ungido de Deus, será lançado no Lago de fogo e com ele todos aqueles que desprezarem o Filho de Deus. Finalmente, o Novo Céu e a Nova Terra de glórias e venturas eternas.
Jesus fez esta gloriosa revelação a Natanael, referindo-se, possivelmente, à escada de Jacó: Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem, João 1:51.
Este é o Cristo que seguimos; o Verbo que se fez carne e habitou entre nós,, trazendo-nos a vida abundante de venturas e glórias. Ele é a luz e a vida,João 1:4, luz que resplandece nas trevas, João 1:5.

3 – JOÃO BATISTA

A maneira como Cristo é apresentado aos filhos de Israel é original e maravilhosa. João Batista é a voz que clama no deserto, é a voz dos profetas, é a testemunha fiel. Veio no espírito de Elias (malaq 4:5,6), como arauto, anunciando o Messias prometido, e preparando o caminho. É reconhecido e aclamado entre o povo que a ele vinha para ser batizado. O Espírito Santo revela-lhe a identifica o Cordeiro de Deus (João 1:32). Ele aponta-o a André, irmão de Simão, e este também é levado a seus pés. No dia seguinte, Filipe encontra-se com Jesus e recebe o convite: segue-me. Este atrai Natanael à presença de Jesus. O testemunho de João Batista é verdadeiro e atrai discípulos para Jesus. Esse deve ser também o nosso testemunho. Jesus precisa crescer diante das multidões, quando apresentado por nós.

 

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