Paródia do Poema “José” de Carlos Drummond de Andrade – Derli Machado
José Alencar
E agora, José Alencar?
O drama acabou,
a luz apagou,
a cortina fechou,
a plateia sumiu,
e agora, José Alencar?
e agora, você?
você que tinha um bom nome,
que cuidava dos outros,
você que fazia pano e política,
que negociava, que articulava?
e agora, José Alencar?
Está sem mandato,
está sem discurso,
está sem partido,
já não pode opinar,
já não pode discordar,
decidir já não pode,
a noite findou,
a alvorada não veio,
a visão não veio,
a fome não veio,
não veio a dor
e tudo acabou
e tudo partiu
e tudo coalhou,
e agora, José Alencar?
E agora, José Alencar?
sua sábia palavra,
seu constante bom humor,
sua lealdade e retidão,
sua bravura,
seu exemplo de luta pela vida,
seu apego à religião,
sua coerência,
seu amor pela nação – e agora José Alencar?
Com uma chave na mão
quer abrir a porta,
só existe uma Porta;
quer viver no doce e eterno lar,
mas a chave emperrou;
Tenta voltar a Muriaé para apanhar outra,
Para Muriaé não pode ir mais.
José Alencar, e agora?
Se você clamasse,
se você adorasse,
se você tocasse
nas vestes do Homem de Nazaré,
se você O buscasse,
se você O confessasse como teu Senhor e teu Salvador,
se você vivesse…
Mas você já morreu,
você se foi, José Alencar!
Sozinho no palco
qual ator que interpreta um monólogo,
sem teogonia,
sem a parede das boas obras
para se encostar,
sem o cavalo branco do mérito humano
que fuja a galope,
você partiu, José Alencar!
José, para onde?
Paródia do Poema “José” de Carlos Drummond de Andrade
Por Derli Machado
Pura verdad esse poema, pura realidade..
eu gostei muito dessa parodia
Nuss e o pior é que é verdade